Caros colegas, este Blog tem como objetivo servir de ferramenta para os participantes da Formação Continuada dos Professores de Educação Física atuantes na Educação Infantil da Rede Municipal de Florianópolis, promovendo através de seu acesso a socialização de materiais e comunicação efetiva entre todos os professores.

Sejam bem-vindos !

terça-feira, 30 de março de 2010

Relatório do dia 30/03/2010 - Formação Continuada dos professores da Rede Municipal de Educação de Florianópolis

O encontro teve início por volta das 09h30min e fim às 12h30min. Estiveram presentes quinze integrantes do grupo, entre eles professores da Educação Infantil e quatro estagiárias. Iniciamos o encontro com a leitura do relatório do último encontro realizada pela professora Santa Helena.
Em seguida o professor Alexandre nos comunicou que enviou o projeto com a proposta de formação para o Grupo Independente. O projeto assemelha-se aos dos anos anteriores e foi entregue para a Secretaria Municipal de Educação. Desta forma, todos os integrantes do grupo ganharão certificação ao término do curso de formação.
O professor Alexandre também conduzirá o curso de formação idealizado pela SME. Em reunião com representantes da SME, foi colocado que a formação será nos moldes do curso realizado no ano anterior, com um encontro na última terça-feira do mês, pelo menos no primeiro semestre. A SME passou como orientação geral que o curso utilize durante seu processo práticas bem sucedidas. Alguns apontamentos sobre as diretrizes curriculares podem ser fruto deste curso de formação. Por outro lado, o grupo concorda que a formação oferecida pela SME não tem condições de produzir as diretrizes por alguns fatores: grande número de professores, poucos encontros e diferentes níveis de discussão em relação à temática da Educação Física na Educação Infantil. Tudo indica que o Grupo Independente assumirá a formulação das diretrizes.
Sobre a proposta das diretrizes que será elaborada pelo grupo, concordamos que até o meio deste ano de 2010 um esboço deve estar produzido. Uma proposta mais fundamentada deverá ter de 10 a 15 páginas, em que o eixo articulador da proposta será a prática pedagógica.
Uma outra reunião será agendada com o professor Alexandre e representantes da SME para discutirem a respeito das diretrizes curriculares da Educação Física no 0 a 5 anos.
Em seguida, discutimos a metodologia mais adequada para a construção das diretrizes da Educação Física na educação infantil. Levantamos muitos pontos importantes que devem constar neste documento como a especificidade, histórico, ppp, questões de legislação e relatos de experiência.
O grupo decidiu sob orientação do professor Alexandre, que as diretrizes devem ser construídas a partir da prática. Dessa forma, vamos iniciar a primeira etapa do trabalho por este ponto. No próximo encontro cada integrante deverá escrever, de maneira pontual, a forma de organização da sua prática nas unidades. A formatação deverá ser em tópicos como segue abaixo:

1-Nome do profissional:
2-Unidade em que atua:
3-Conteúdos de suas aulas:
4-Avaliação:
5-Organização do tempo/grade de horário:

É importante que escrevamos em tópicos para facilitar a compilação dos dados. Cada integrante do grupo deverá levar um arquivo digital da sua apresentação, em pendrive, cd ou mandar antecipadamente por e-mail e terá 10 minutos para relatar sua experiência e depois debateremos.
Finalizando o encontro, o grupo decidiu que independente da Secretaria Municipal de Educação aceitar o documento como diretrizes curriculares da Educação Física na educação infantil, publicaremos em algum periódico para que seja divulgado.

domingo, 28 de março de 2010

Relatório do dia 09/03/2010 - Formação Continuada dos professores da Rede Municipal de Educação de Florianópolis

Iniciamos o encontro com uma breve apresentação dos participantes. Estavam presentes quatro alunas de graduação da UFSC, duas professoras novas na Educação Infantil e seis professores/as que já frequentavam o Grupo.
A pauta previa uma discussão sobre o local onde os encontros serão realizados. O centro de formação continuada não disponibilizará sala para o Grupo Independente, apenas para o curso de formação continuada oferecido pela Secretaria Municipal de Educação. Em contato prévio com o professor que prestava assessoria ao grupo, ele disponibilizou uma sala no Centro de Desportos, espaço cedido pela UFSC. O grupo está se reunindo hoje neste espaço e decidiu que permanecerá se encontrando neste local.
O ponto seguinte era sobre a certificação da SME/DEI do processo de formação continuada conduzido pelo Grupo Independente. A SME/DEI vai exigir frequência mínima de 80% (oitenta) para que os certificados sejam emitidos. O sistema de controle da freqüência segue o mesmo dos anos anteriores.
Sobre a formação que será oferecida pela SME/DEI para os professores de Educação Física que atuam na Educação Infantil, esta acontecerá mensalmente, e o primeiro encontro está agendado para o dia 30/03/2010. Os profissionais que irão conduzir este processo ainda não foram definidos, mas o Grupo Independente mantém a indicação de ser o professor Alexandre F. Vaz, para dar continuidade ao curso oferecido no ano anterior.
Devido ao curto período até o primeiro encontro da formação da SME/DEI, dia 30/03/2010, a SME/DEI solicitou que alguns representantes do Grupo Independente ministrassem este encontro, abordando um pouco do histórico do grupo. A posição debatida pelo grupo é que o professor Alexandre F. Vaz seja contatado rapidamente e dê continuidade ao trabalho já desenvolvido, desde o primeiro encontro deste ano. A apresentação do histórico do grupo pode ser pauta de um dos encontros de formação, mas o Grupo Independente não concorda em assumir a responsabilidade de ministrar o primeiro encontro com este intuito.
Debatidos e esclarecidos os informes, adentramos na discussão sobre os objetivos do Grupo Independente para o ano em curso. O principal objetivo é a elaboração das diretrizes curriculares para a Educação Física na Educação Infantil. Esta meta já tinha sido alvo de nossas discussões no ano anterior, inclusive definindo como isso seria realizado e os pontos que ela deve contemplar. Pensamos em dividir o grupo de pessoas interessadas em contribuir em comissões, que fariam uma análise prévia dos materiais produzidos sobre cada tema que pretendemos abordar nas diretrizes. Os materiais escolhidos para análise são:
1) As diretrizes curriculares para a Educação Física no ensino fundamental e na Educação Infantil, produzido em 1996;
2) A edição especial da revista Motrivivência sobre a Educação Física na Educação Infantil;
3) As produções de Deborah T. Sayão;
4) As produções do Grupo de estudo e pesquisa Educação e Sociedade Contemporânea, coordenado pelo professor Alexandre F. Vaz;
Dentre os pontos que pensamos em abordar nas diretrizes, destacam-se:
1) Os conteúdos da Educação Física na Educação Infantil;
2) A avaliação;
3) Especificidade;
4) Organização do tempo pedagógico;
5) Histórico;
6) Relatos de experiência;
7) PPP´s;
8) Questões legislativas;
A incerteza sobre o primeiro encontro de formação que será oferecido pela SME/DEI, no dia 30/03/2010 fez com que encaminhássemos nossas próximas atividades do Grupo Independente para esta data. Concordamos que neste dia sejam definidas as comissões. A princípio, iremos atrelar os debates no Grupo Independente com a elaboração das diretrizes.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

POSSÍVEIS CONTEÚDOS DOS ENCONTROS DE FORMAÇÃO

08/09 – JOGO, BRINQUEDO E BRINCADEIRA – BENJAMIM
Aprofundar na temática a partir dos textos de W. Benjamim; Discutir a relação da literatura com as práticas corporais cotidianas; Sanar possíveis dúvidas sobre o tema;

22/09 – O PROCESSO DE AVALIAÇÃO DA ED. FÍSICA NA ED. INFANTIL
Tema oriundo do penúltimo encontro de formação; Discutir, refletir e socializar as diferentes maneiras de avaliação da Ed. Física na Ed. Infantil; Contribuir para a formação de professoras menos experientes na Ed. Infantil, esclarecendo dúvidas e apresentando possibilidades; Debater sobre o contato com a família das crianças, prós e contras, e maneiras de aproximação com diferentes contextos familiares;

06/10 – RELATO DE EXPERIÊNCIA: AVALIAÇÃO NA ED. INFANTIL(Sugestão prof. Inelve) Ferramentas utilizadas durante o semestre que compõe a avaliação; o registro das atividades, passeios e práticas vivenciadas pelas crianças; o contato com os pais; os resultados deste modelo de avaliação;

20/10 – O PROCESSO CIVILIZADOR NO 0 A 5 ANOS
Questionamento que surgiu em um dos encontros neste ano, como proporcionar uma educação civilizadora que não seja marcada pela repressão?; Como humanizar as crianças de uma forma mais suave, que não seja tão marcada pelas relações de poder?; Desnaturalizar práticas rotineiras e refletir sobre as atitudes dos professores, de que forma isto influencia na educação das crianças;

03/11 – O PROCESSO CIVILIZADOR NO 0 A 5 ANOS E INTRODUÇÃO À OFICINA DE DANÇA
Fechamento da discussão a respeito do processo civilizador na Ed. Infantil; Introdução do tema da oficina a ser realizada no encontro seguinte;

17/11 – OFICINA DE DANÇA – PROFESSORA CAREN
Oficina de dança; Possibilidades da dança na Ed. Infantil; Apresentar o conteúdo trabalhado e as respectivas faixas etárias; Relacionar a oficina com a literatura estudada; dança e mímesis; dança e técnica; O corpo como instrumento da brincadeira;

01/12 – FECHAMENTO E ENCAMINHAMENTO PARA O PRÓXIMO ANO
Avaliação do processo desenvolvido este ano, metodologia, literatura, dificuldades e avanços, etc; Encaminhamento para o ano seguinte, parcerias, objetivos, conteúdos e metodologia; Discutir sobre as diretrizes curriculares e o processo de formação continuada, documento do grupo apresentado à SME/DEI;

OUTROS POSSÍVEIS CONTEÚDOS
• Violência nos momentos da Educação Física
• Questões de gênero
• Inclusão
• Educação Física de 0 a 2 anos, o que fazer?

Aguardo a contribuição de vocês para fecharmos os temas para o final deste ano.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

RELATÓRIO 04/08

Para este encontro estava programado o fechamento dos textos e o encaminhamento para as atividades do segundo semestre. Devido ao baixo número de professores que compareceram, adiamos o fechamento dos textos para a primeira parte do encontro seguinte, que estava previsto a realização da oficina de dança, que será possivelmente realizada em outra data e substituímos por um relato de experiência na segunda parte.
Sem uma temática específica devido às circunstâncias, surge o desejo das professoras mais novas do grupo, com pouco tempo de experiência na Educação Infantil, de saber como é realizada a avaliação, e então, as professoras socializaram como elas estão encaminhando esta questão em suas instituições.
Conta-nos uma das educadoras que a avaliação em sua creche, que possui 6 salas, é feita de forma descritiva e individual, porém cada professor fica responsável por um determinado número de crianças, e depois essa avaliação é socializada, ou seja, todos os educadores têm acesso às avaliações dos demais e podem também contribuir, agregando alguns pontos que a professora possivelmente não percebeu.
Outra educadora relatou que em sua instituição a avaliação é feita por turma, em que a professora de sala faz o relatório de cada criança de sua turma, mas a Educação Física, por ser uma prática realizada com todas as turmas da instituição, assume outro modelo de avaliação. No dia de avaliação, a creche continua funcionando normalmente e apenas uma sala não tem aula, que é exatamente a sala que está tendo avaliação, e somente os pais das crianças desta turma comparecem. Neste dia, a professora de Educação Física fica em uma sala e atende um pai por vez. Ela procura mostrar o que a Educação Física tem feito, através de fotos, falando das atividades propostas, enfim, mostrando o caminho trilhado pela Educação Física, então, a avaliação da Educação Física acontece de forma coletiva, em que a professora avalia a turma de um modo geral, pois como ela relata “ é complicado fazer uma avaliação individual, não tenho condições de fazer uma avaliação fidedigna de 100 crianças “. Nesta fala, percebemos a preocupação em não fazer uma avaliação deficitária, que não retrate o que a criança é todos os dias na instituição.
Este modelo de avaliação adotado pela Educação Física, conta-nos a educadora, tem dado um resultado positivo, “os pais se envolvem mais”. O contato direto com os pais estreita as relações entre as famílias e a instituição, “os pais vêem as fotos e falam: Ah, meu filho tem feito isso em casa, quando a gente foi pra praia ele fez, por isso que ele tem perguntado”.
Outra professora presente no encontro conta-nos que devido a alguns empecilhos ocorridos ao longo do semestre, como greve dos professores no município e greve de ônibus, não foi possível viabilizar o contato com os pais, como normalmente ocorre. Porém, ela ressalta que “os filhos adoram que os pais vão à instituição, e os pais conseguem perceber que isto é importante, e este contato é garantido através de eventos e da avaliação”.
Um tema presente nos debates empreendidos pelo grupo já algum tempo, a organização do tempo pedagógico voltou a tona neste encontro, isto porque, novas professoras estão conseguindo organizar a carga horária semanal de outra forma, diferente do modelo tradicional baseado no modelo escolar. Este dado, de que novas professoras colocam em prática propostas de superação da atual organização prevista pela Secretaria Municipal de Educação, de três encontros semanais com quarenta e cinco minutos, está fortemente vinculado ao histórico do grupo, que tem acumulado ao longo de sua trajetória, valiosos debates e propostas inovadoras.
Uma proposta apresentada neste encontro foi a de organização por período, em que a Educação Física se insere na rotina da turma, acompanhando e participando das atividades da professora de sala e também propondo outras atividades que contam com a participação da professora de sala. Este momento privilegiado de troca de informações sobre as crianças é também um espaço para observar as crianças em outras situações. É preciso destacar que propostas inovadoras não são efetivadas de maneira individual, é necessário contar com a colaboração dos demais profissionais da instituição, ou seja, ser um desejo da unidade, e que é construído com o tempo.
Iniciativas de superação do modelo tradicional caminham na direção de um maior entendimento dos profissionais sobre o tempo das crianças, onde a organização pautada pelo tempo cronológico do mundo adulto não faz tanto sentido, sendo assim, os momentos de quarenta e cinco minutos da Educação Física podem durar um turno inteiro. Porém, é necessário frisar que isto não impede, de maneira alguma, que boas práticas sejam desenvolvidas em quarenta e cinco minutos.
O que colocamos em questão é esta estrutura sólida das três sessões semanais de quarenta e cinco minutos, enraizada no modelo escolar e que perdura na Educação Infantil há muitos anos. A organização do tempo pode variar de acordo com o interesse das crianças ou com os objetivos do professor, e como conta-nos uma educadora, percebe-se diferença de tempo entre as turmas, ou seja, uma atividade que foi realizada em 30 minutos com o grupo de 3 anos, pode durar 2 horas com o grupo de 5 anos.
Finalizando o encontro, os novos integrantes do grupo, que começaram a freqüentar este ano, falaram um pouco sobre a impressão estão tendo e de que forma o grupo tem contribuído.
Professora 1 “ O grupo de estudos está sendo essencial. Nuca tinha trabalhado com Educação Infantil, estou levando muito coisa boa para o meu dia-a-dia, tá me ajudando a refletir, os textos ajudaram a esclarecer o que é a Educação Física na Educação Infantil. Aos poucos vou conseguindo meu espaço na instituição. Não venho procurando uma coisa pronta, venho buscar ferramentas, ver se isso acontece só comigo, se as angústias são também as de outras, as inquietações, as inseguranças”.
Professora 2 ” Onde eu trabalhava tinha grupo de estudos, mas nada era da Educação Física, ficava só para o tema mais geral. O grupo de estudos foi bom porque reuniu um monte de professores de Educação Física que discutem. É um espaço muito legal, que querem construir um bom trabalho. É bem dosado a questão do teórico e prático”.
Professora 3 “ Vejo o espaço do grupo como fonte de alimento. Você nem sempre leva soluções, mas você compartilha. Nas instituições, você se sente meio sozinha, não tem com quem compartilhar, dividir isso. O grupo de estudos é essencial enquanto profissional. O coordenador pedagógico nem sempre é um aliado seu, tem uma visão cristalizada dos professores de Educação Física, visto como malandro”.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

RELATÓRIO 23/06

Para este encontro estava previsto a leitura do texto “A doutrina das semelhanças” de Walter Benjamin, dando continuidade ao aprofundamento teórico almejado pelo grupo na questão da mímesis.
Uma experiência mimética acontece quando a criança se aproxima do que não conhece para produzir e reconhecer semelhanças, é a forma com que interpreta e se comunica com o mundo, ou seja, de se relacionar com ele, como uma dimensão mais ampla da própria linguagem.
Nas brincadeiras infantis, a mímesis tem uma ligação muito íntima com o aprendizado das mesmas, visto que, as crianças não nascem sabendo brincar, mesmo sendo uma manifestação espontânea e natural desta fase, é através da mímesis que as crianças vão se familiarizando com as brincadeiras.
Quanto mais possibilidades de movimentos as crianças tiverem contato, seja através da mímesis ou da proposição dos educadores, mais confiantes elas vão ficando para realizar estes movimentos e também se desafiarem. Dentro das brincadeiras infantis, os participantes do grupo destacaram duas formas de prazer, a primeira é o prazer do movimento, a sensação, e a outra é exatamente o prazer em realizar o movimento. Uma professora do grupo nos retratou como a mímesis desempenha destacado papel na aprendizagem de brincadeiras e movimentos, “uma criança só percebeu que não conseguia saltar quando viu o colega saltando”.
Através da mímesis, as crianças não representam apenas outros seres humanos, mas também outras coisas, como um helicóptero, o vento, o sol, um carro, etc. Uma representação muito comum é a criança reproduzir a professora, uma figura identitária muito importante, porém, como relatado pelo grupo, isto não é uma regra, visto que há professoras muito agitadas com turmas calmas.
Em outras situações, o professor é quem mimetiza as crianças, quando não faz o distanciamento e se mistura com que está acontecendo. Um exemplo utilizado no encontro foi os momentos de confusão, transtorno, que ao invés de dar uma bronca, traz uma solução no nível das crianças, ou seja, mimetiza a situação.
Uma professora do grupo citou outro exemplo em relação ao professor mimetizar as crianças, quando ela presenciou uma educadora falar bem-feito para uma criança, atitude muito comum entre as crianças daquela instituição. Há realmente momentos em que o professor perde a razão e toma atitudes que não seriam as mais adequadas para a situação, porém, o que discutimos e julgamos problemático é a naturalização destas atitudes. É necessário que o educador faça a separação entre o que sente, o que fala e as suas ações.
O educador não deve considerar a criança como um adulto infantilizado, é preciso reconhecer que em algumas situações as crianças são chatas e atormentam. O problema é conceber isto como o lugar comum, ou seja, considerar a criança como chata em todas as suas atitudes, é preciso ficar atento para que estas práticas não se naturalizem e o professor consiga fazer o distanciamento necessário.
A partir desta questão, surge a discussão sobre a diferença entre a professora de sala e o professor de Educação Física, que são considerados como permissivos perante os olhos das educadoras de sala. É claro que as professoras de sala, por passarem maior tempo com as crianças é a principal referência de disciplina e tem um olhar muito voltado para o cuidado. Já os professores de Educação Física, que trabalham com o corpo, movimentos, enxergam este cuidado de outra maneira, um exemplo citado no encontro reflete exatamente isto, quando uma criança vai cair, o professor de Educação Física deixa, pois acredita que isto faz parte do processo de aprendizagem do que está sendo proposto. Neste exemplo, é necessário frisar que o espaço e os materiais foram pensados previamente, evitando qualquer lesão mais séria.
Concordamos que as crianças precisam de organização em vários momentos, mas isto não pode significar o mesmo que privar as crianças de algumas situações que podem ser interessantes de serem vivenciadas.
Casos de como a mímesis está presente nos momentos da Educação Física foram relatados neste encontro, como na brincadeira do boi-de-mamão, em que as crianças querem sempre ser o boi, de como as crianças tem medo da bernuza, mas não tem medo de ser a bernuza. Outro relato foi em relação ao ensino da dança através da mimetização de algumas situações como derreter igual sorvete, de mexer como uma gelatina, de lavar as mãos, encher e murchar como um balão. Nestas experiências miméticas, as crianças representam corporalmente como elas percebem estas situações, sendo assim, tem uma ligação muito íntima com o imaginário.
Finalizando o encontro, levantamos um questionamento muito válido em relação ao processo educacional, como educar/humanizar sem a opressão, como fazer isto através de um disciplinamento não tão marcado pelas relações de poder? Como proporcionar uma educação que não oprima a espontaneidade, mas que também não deixe livre? Nos questionamos em relação a isto porque consideramos que o processo educacional é também um processo civilizatório, onde as crianças tem contato com o conhecimento, a cultura e a sociedade, com todas as suas regras, padrões e condutas sociais.