Caros colegas, este Blog tem como objetivo servir de ferramenta para os participantes da Formação Continuada dos Professores de Educação Física atuantes na Educação Infantil da Rede Municipal de Florianópolis, promovendo através de seu acesso a socialização de materiais e comunicação efetiva entre todos os professores.

Sejam bem-vindos !

terça-feira, 19 de junho de 2012

Creche Anna Spyrios Dimatos- Bairro Tapera/Florianópolis-SC



Na tentativa de considerar e oferecer novas perspectivas para o “Dia Interativo” é que surgiu o Projeto “Meia volta, vamos dar...” que na forma de um circuito oportunizamos experiências coletivas que possibilitem às crianças menores e maiores, profissionais e familiares pertencentes a esta comunidade educativa, interação, socialização, participação, expressão, brincadeira e diversão às diversas atividades como o teatro, as apresentações de dança, as contações de histórias, as diferentes brincadeiras e oficinas nos diversos espaços da unidade, complementando com a interação dos grupos com a Educação Física e as famílias. Este Projeto possibilita sobremaneira a ampliação do repertório físico, cultural, afetivo e social de nossas crianças, consolidando assim, todo o planejamento coletivo de nossa unidade. É importante salientar que a Educação Física desta unidade tem conseguido articular, incentivar e promover estas atividades, contando sempre com a parceria de todos os profissionais da creche.

Abraços. Andréa Silveira- Professora de Educação Física.

domingo, 3 de junho de 2012

PRÓXIMO ENCONTRO DIA 05.06.2012


Data: 05.06.2012

Horários: Grupo matutino: 8:00 - 12:00
                               ou
               Grupo vespertino: 13:00 - 17:00

 

Local: CEC (Eventos), na Rua Ferreria Lima 82 – Centro

sábado, 2 de junho de 2012

Relatório do dia 22/05/2012 - Formação Continuada dos Professores da Rede Municipal de Educação de Florianópolis - GI


No dia 22 de maio de 2012, às 09h e 15min, teve início o Encontro do Grupo de Estudos Independente da Educação Física na Educação Infantil. Ele contou com a presença de quinze (15) professores, bem como de uma bolsista do Núcleo de Estudos e Pesquisas Educação e Sociedade Contemporânea (UFSC/CNPq). O Encontro foi coordenado pelo professor Dr. Jaison José Bassani (DEF/CDS/UFSC) e teve como objetivo discutir aspectos da relação entre os Núcleos de Ação Pedagógica e a Educação Física, especificamente o tema Relações sociais e culturais: contexto espacial e temporal; identidade e origens culturais e sociais.
Jaison deu início ao encontro se apresentado e em seguida expôs a dinâmica de trabalho. Os temas a serem discutidos e pensados foram separados em cinco (5) momentos, sendo:
1º - Elementos que envolvem o NAP: relações sociais e culturais;
2º - Três conceitos: cultura, socialização, culturas infantis;
3º - Educação Física e relações sociais e culturais: técnicas corporais e os usos do corpo;
4º - Educação Física, Pedagogia e relações sociais e culturais: intersecções;
5º - Educação Física e relações sociais e culturais: o trabalho pedagógico com a(s) cultura(s) corporal(is).
Em seguida foi perguntado aos professores o que lhes parecia esse plano inicial, a resposta foi: “Ambicioso!”. Jaison destacou que tentaria contemplar todo o planejamento, mas que iria debater até onde fosse possível, não necessariamente encerrando-o naquele momento.
Primeiramente foi perguntado aos presentes se todos tinham conhecimento ou algum contato com o NAP em questão, sendo a resposta “sim”. Depois de uma breve conversa sobre o conhecimento e estudo dos professores sobre ele, Jaison diz que a idéia de encontrar Núcleos ou eixos é uma forma de garantir uma relação dialética entre a dimensão do cuidado e da educação, tendo em mente que eles transpassam os trabalhos dos diferentes profissionais da instituição.
Esse NAP tenta contemplar a diversidade cultural e social que caracteriza os sujeitos que frequentam as instituições. As discussões que são feitas pontualmente em torno desse Núcleo têm uma conexão bastante forte com os debates contemporâneos das Ciências Humanas e Sociais, tendo como reflexo a discussão pedagógica sobre o papel da escola e instituições educacionais na transmissão e produção cultural.
A escola surge em meados do século XVIII como uma instituição responsável por promover uma conexão social a partir de uma cultura unitária, comum a um povo, aparecendo como importante na construção das identidades nacionais, tornando-se guardiã de um determinado acervo cultural. Essa discussão contemporaneamente passa a ser fortemente tematizada pela idéia de que temos outros registros e formas de produção cultural desvalorizadas no âmbito dos projetos da constituição dos Estados Nacionais. Isso resulta no silenciamento de um conjunto de vozes na construção da relação entre escola, nação/estado e cultura.
Para Jaison não somente esse NAP, mas as discussões contemporâneas no âmbito das Ciências Humanas e Sociais, tentam mostrar a dificuldade do estabelecimento de um critério objetivo para selecionar e hierarquizar os diferentes registros culturais, justamente pela ampliação do conceito de cultura. Tentando pensar sobre as diferenças socioculturais, nesse NAP fala-se do respeito à diversidade, à alteridade, às crenças, às relações estabelecidas entre os grupos, com o próprio corpo, à constituição das famílias. Também chama a atenção para os elementos que de modo geral estamos bastante acostumados a observar no âmbito do trabalho pedagógico, ou seja, a multiplicidade de sujeitos, culturas, registros sociais, no universo da Educação Infantil.
Em seguida foi mostrado um recorte do NAP Relações sociais e culturais que diz: “As famílias representam o primeiro espaço de socialização dos bebês, ainda que a partir de um determinado momento esse processo seja compartilhado com outras instituições. É na família que as crianças constituem as primeiras formas de significar o mundo e de se reconhecer como parte de um grupo.”
Jaison nos alerta que existem diversas formas de conjugalidade no contemporâneo, sendo múltiplos os modos de construção dos relacionamentos, que não são mais apenas os casamentos entre homens e mulheres. As famílias tem se reconstituído atualmente em função de aspectos sociais e econômicos, ampliando-se, retornando com maior força a idéia de comunidade em torno dela, variando em alguns registros sociais, extratos econômicos, em determinados locais. Vemos famílias numerosas compostas não somente pelo pai e mãe, mas também pelos avôs, irmãos, primos, tios. Podemos perceber que as famílias possuem diversos arranjos, formas de se constituir, de ver se relacionarem seus componentes, com diferentes papéis sociais, tendo interferência direta na construção da identidade do indivíduo que nela convive, influenciando na forma como ele se reconhece no pertencimento a um grupo.
Observamos nas instituições educacionais a reconfiguração das famílias em função de uma série de rupturas sociais, culturais, políticas vividas nos últimos sessenta (60) anos, algo que foi alterando progressivamente os papéis sociais. Esse movimento de reconstrução influencia nas identidades individuais e coletivas. Devemos pensar como esses fatos criam demandas específicas, diferentes para o trabalho pedagógico no atendimento aos pequenos. Como possui interferência no modo de organizar as atividades, os tempos e espaços institucionais. É para essa inquietação e reflexão que o Núcleo tenta chamar atenção.
Outra citação do NAP é apresentada ao grupo: “Ao olharmos a composição dos grupos infantis nas instituições, não estamos a frente de um conjunto de crianças e adultos que se diferenciam somente pela idade com determinadas características biológicas, mas sim frente a sujeitos sociais constituídos e pertencentes a uma etnia, uma geração, um gênero, a uma cultura, aspectos que atravessam a composição das relações e a própria constituição dos seres-humanos, meninos, meninas, negros, brancos, asiáticos, indígenas, brasileiros, estrangeiros, moradores e moradoras do interior da ilha ou do centro urbano, católicos, evangélicos, do candomblé. Sujeitos constituídos por fatores sócio-culturais que os tornam ao mesmo tempo singulares, mas pertencentes a determinados grupos.” Jaison nos chama atenção para o fato de que mesmo pertencendo a uma mesma sociedade, cidade, pode-se ter um conjunto de relações que singularizam e diferenciam o sujeito. Portanto, temos no interior do tecido social distintos grupos que constroem suas identidades a partir de diferentes relações e elementos, um deles certamente muito forte há anos é a religião. Variados grupos constituem uma unidade educacional e a pergunta é se de fato possuímos uma instituição única, considerando esses diversos grupos sociais. A partir disso podemos refletir sobre as práticas pedagógicas dos docentes e a conduta institucional. Por exemplo, comemorar ou não a Páscoa? Festa Junina? E os feriados nacionais que têm como base a religião católica?
Após a pausa para o lanche, Jaison prosseguiu, referindo-se agora aos conceitos de cultura, socialização e culturas infantis. Inicialmente o foco foi nos variados sentidos, significados e usos da palavra cultura. Seu intuito foi mostrar esses usos e desnaturalizar um pouco as noções. Começou mostrando usos cotidianos do emprego da palavra em destaque.
Podemos dizer assim: “Pedro é muito culto, conhece várias línguas, entende de arte e literatura.” Ou “Claro que Pedro não pode ocupar o cargo que pleiteia, não tem cultura nenhuma, é um semianalfabeto.” Essas duas frases identificam cultura como posse de determinados conhecimentos, como de línguas, arte, literatura, ou vinculados à alfabetização, sendo isso um elemento caracterizador da cultura, aparecendo ela como sinônimo de algo superior, causando uma distinção entre indivíduos. O ministrante alerta que esse sentido de cultura não tem qualquer relação com o conceito que gostaria que entendêssemos. A terceira frase destaca a idéia de uma cultura própria de determinada coletividade, como franceses, alemães ou brasileiros. Podemos observar que a cultura significa uma identidade coletiva, havendo comparação entre várias.
É preciso considerar cultura e diferenças sociais – cerne das discussões do NAP, sobretudo em um país como o Brasil, em que diferenças econômicas e sociais são muito grandes, onde a cultura é, portanto, uma maneira de identificar e distinguir os indivíduos e grupos sociais, legitimando as desigualdades sociais.
Na frase seguinte é possível observar uma vinculação entre cultura e diferenças sociais, quando é falado em cultura de massa e de elite, “Ouvi uma conferência que criticava a cultura de massa, mas me pareceu que a conferência defendia a cultura de elite. Por isso, não concordei inteiramente com ela.” (Adaptado de CHAUÍ, 2000). Podemos perceber a distinção e valorização de maneira diferente dos tipos de cultura, sendo a de massa referente ao povo, conjunto da população não pertencente à elite. Essa separação é consequência de uma sociedade fragmentada.
Outro sentido que pode ser encontrado para a palavra cultura é quando utilizada para referenciar uma etnia, como na frase “O livro que estou lendo sobre a cultura dos guaranis é bem interessante. Aprendi que o modo como entendem a religião e a guerra é muito diferente do nosso.” (Adaptado de CHAUÍ, 2000). Aqui se fala dos guaranis e seus costumes, ações, modo de vida.
Há vários significados para a palavra cultura, empregamo-la e a seus derivados de diversas maneiras na nossa linguagem cotidiana. Jaison apresenta dois significados iniciais da noção de cultura, segundo a filósofa Marilena Chauí, sendo o primeiro relacionado à origem da palavra em questão, que vem do verbo latino colere, que significa cultivar, criar, tomar conta e cuidar, Cultura significa o cuidado do homem com a natureza. Donde: agricultura. Significa, também, cuidado dos homens com os deuses. Donde: culto. Significa ainda, o cuidado com a alma e o corpo das crianças, com sai educação e formação. Donde: puericultura. A Cultura era o cultivo ou a educação do espírito das crianças para tornarem-se membros excelentes ou virtuosos da sociedade pelo aperfeiçoamento e refinamento das qualidades naturais. No segundo sentido, a partir do século XVIII, cultura passa a significar os resultados daquela formação ou educação dos seres humanos, resultados expressos em obras, feitos, ações e instituições: as artes, as ciências, a Filosofia, os ofícios, a religião e o Estado. Torna-se sinônimo de civilização.
No primeiro significado percebemos que cultura e natureza não se opõem, sendo cultura uma segunda natureza – adquirida pela educação e pelos costumes, que melhora, aperfeiçoa e desenvolve a natureza de cada um. Já no segundo sentido, há oposição entre natureza e cultura, quando esta remete ao reino da finalidade livre, escolhas racionais, dos valores, da distinção entre bem e mal, verdadeiro e falso, justo e injusto, sagrado e profano, belo e feio; e natureza significa reino da necessidade causal, do determinismo cego. Esse segundo conceito que ganha preponderância dos três (3) séculos que nos separam do período XVIII, ganha maior materialidade. Marilena Chauí diz que:
A medida que este segundo sentido foi prevalecendo, Cultura passou a significar, em primeiro lugar, as obras humanas que se exprimem numa civilização, mas, em segundo lugar, passou a significar a relação que os humanos, socialmente organizados, estabelecem com o tempo e com o espaço, com os outros humanos e com a Natureza, relações que se transformam e variam. (CHAUÍ, 2000, p.373).

Mas afinal, o que é cultura? No sentido amplo, histórico-antropológico, são as práticas, hábitos ou modos de vida de determinado grupo. Esses elementos todos os agrupamentos humanos possuem, estes têm diferente maneiras de realizar as suas práticas, só podemos assim falar em culturas. No sentido restrito, cultura está ligada à idéia de “cultivo do espírito” – espírito não ligado a religiosidade, mas sim aquilo que é produzido sobre a natureza, cultura como criação de obras da sensibilidade e imaginação e como criação de obras da inteligência, reflexão.
Sumariamente, nos dois sentidos temos a cultura como a maneira pela qual os humanos se humanizam por meio de práticas que criam a existência social, econômica, política, religiosa, intelectual e artística. Esse sentido de cultura o NAP parece reforçar, sua amplitude chama a atenção para os diferentes grupos sociais, e seu caráter restritivo para as distintas maneiras, práticas, modos de vida desses grupos.
Devemos ter em mente que as crianças possuem origens socioculturais diversas e assim vão de alguma maneira estabelecendo filtros, formas de se relacionar com artefatos culturais. O NAP Relações sociais e culturais nos faz colocar atenção na valorização desses elementos, não implicando em deixar de produzir progressivamente contato com outras formas de cultura.
Como o tempo estava se esgotando e muitos assuntos não foram trabalhados, em comum acordo, ficou agendado para dia 19-06 continuarmos o estudo. Estejam todos convidados.

Referência:

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2000.

sábado, 26 de maio de 2012

Relatório do dia 08/05/2012 - Formação da Rede Municipal de Educação de Florianópolis


No dia 08 de maio de 2012, às 08h e 25min, teve início o Encontro de Formação da Rede Pública Municipal de Educação. Ele contou com a presença de trinta e dois (32) professores, bem como de uma bolsista do Núcleo de Estudos e Pesquisas Educação e Sociedade Contemporânea (UFSC/CNPq). O Encontro foi coordenado pelo Professor Alexandre Fernandez Vaz e teve como tema “Educação Física na Educação Infantil: Temas em debate IV – Lugares da Educação Física na Educação Infantil (I), segundo as experiências relatadas.
Alexandre trouxe trechos dos relatos de experiência pertencentes a professores da Rede para discussão e reflexão. Esses textos estão presentes no Documento que vem sendo desenvolvido pelo Grupo Independente de Professores de Educação Física da Educação Infantil como contribuição à orientação das Diretrizes Municipais para a educação de 0 a 5 anos. Ele é composto pela parte teórico-metodológico e em seguida vem os relatos de diversas práticas realizadas nas instituições municipais.
O estudo desses escritos tem por função verificar de que forma ajudam a materializar discussões que vem sendo realizadas no decorrer dos encontros da Formação, e fazer um exercício de análise do fragmento selecionado de cada relato, que contempla experiências diversas no âmbito da cultura corporal.
Antes de partir para os relatos, Alexandre argumentou sobre a grande importância de se fazer anotações dos momentos da Educação Física. Porque nossa memória é falha, seletiva, podendo se perder ou confundir certos acontecimentos; por proporciona um distanciamento da própria prática para poder avaliar melhor o que foi trabalhado, exigindo elaborar um registro que vá além da mera impressão; facilita a avaliação em longo prazo; por fim materializa o que se tem ensinado na instituição, podendo disponibilizar e tornar conhecidas essas informações aos colegas de trabalho.
Os professores presentes tiveram a tarefa de analisar se o texto cumpriu o seu objetivo de comunicar, se foi escrita de forma clara, o que ele anuncia e como podemos ligá-lo com as próprias práticas.
O primeiro extrato de relato foi sobre um trabalho realizado com a Dança, com dois parágrafos do texto. Foi apontado que está muito bem escrito, há uma fundamentação, anuncia e justifica a escolha do conteúdo selecionado, estão presentes os objetivos e alguns deles acabaram chamando a atenção dos docentes presentes: ampliação do repertório de movimentos corporais, sensibilização, expressividade e criatividade das crianças. As pessoas os apontaram como elementos importantes, mas um professor colocou em questionamento se os objetivos não estavam muito idealizados. Alexandre comentou que devemos colocar as metas acima das nossas possibilidades para que elas não limitem a prática, permitindo-nos estudar, refletir, buscando alcançar o que foi planejado, saindo da zona de conforto e arriscando um pouco mais. Também foi apontada a parceria e contribuição da instituição para com esse projeto. A segurança e os espaços organizados foram itens observados no texto. Foi finalizado com um elogio acerca de ser um relato de uma prática bem pensada, que considera a instituição, reflete sobre a própria experiência e contextualiza isso dentro de uma sociedade, uma cultura.
O segundo extrato se referiu a um relato que contemplava três projetos que são desenvolvidos paralelamente na instituição, um é a dança do Boi-de-mamão desde os pequenos até os maiores por meio de adaptações dos personagens, outro são as Saídas e Passeios, e por fim a organização dos espaços para atividades coletivas que propõem brincadeiras com água, brincadeiras sobre rodas, parque ou Hall nas segundas-feiras. Decompondo as partes do texto foi observado que apareceu o princípio que a instituição tem por função operar com elementos da cultura, ampliando o repertório de práticas corporais das crianças, rivalizando com a cultura de massa e preservando jogos da cultura popular, como o boi-de-mamão. A criação de brinquedos/fantasias que evocam personagens que permitam às crianças menores brincarem e não serem somente meros observadores foi algo destacado como importante e inovador. Mais uma vez ficou evidente a participação da instituição como um todo no projeto, não sendo somente da Educação Física. O critério da escolha do boi-de-mamão como conteúdo ficou claro, importante por fazer parte da história e cultura regional, também por estar sendo esquecida, engolida pela indústria cultural, por trabalhar com elementos que vão além da mera atividade corporal.
Algo bem interessante que foi notado no fragmento de texto é o grupo de estudos realizados impreterivelmente nas segundas-feiras, a organização da creche para estudos. Também se observa o espaço organizado funcionando como mais um educador, organizado pelo professor intencionalmente visando algum objetivo.  A descrição da segurança relacionada às crianças também se viu no decorrer do fragmento, algo bem importante que deve ser levado em consideração. Manter o "risco" da aventura, mas afastada dos perigos, é importante. O professor deve estar atento, presente e fazer o possível para reduzir o perigo de uma determinada prática ao "risco" da aventura, tornando a atividade desafiadora. Todos concordaram que teve uma descrição ótima e bem detalhada.
O terceiro e último extrato analisado nesse dia se referia ao relato no qual as professoras de Educação Física, juntamente com a concordância das professoras de sala, orientadora pedagógica e a direção da instituição, trabalham o momento da Educação Física em um turno completo com determinado grupo, alternando a cada dia a turma. A professora acompanha os momentos da rotina dos pequenos, como alimentação, higienização e descanso, fazendo a proposta pensada para o dia entre esses momentos. Uma questão bem importante e levantada pelos participantes da Formação foi a conquista da professora de Educação Física de poder trabalhar um período inteiro com uma turma, transpondo o modelo escolarizante de aulas limitadas em 45 minutos que em muitas instituições está ainda enraizado. Também mostra a presença da professora nas rotinas das crianças e não somente atuante na Educação Física. Um professor salientou a parceria e apoio das professoras, direção, instituição em geral nas questões da Educação Física. Outra professora afirmou que é importante e desafiador a participação do professor de Educação Física na rotina dos pequenos, principalmente com o objetivo de humanizar esses momentos.
Por fim os professores declararam que ficaram um pouco confusos com o último extrato por haver palavras ambíguas e por não terem lido todo o relato, tendo sido analisado somente um trecho de dez (10) linhas. 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Relatório do dia 17/04/2012 - Formação Continuada dos Professores da Rede Municipal de Educação de Florianópolis - GI


No dia 17 de abril de 2012, às 09h e 15min, teve início o Encontro do Grupo de Estudos Independente da Educação Física na Educação Infantil. Ele contou com a presença de quatorze (14) professores, bem como de uma bolsista do Núcleo de Estudos e Pesquisas Educação e Sociedade Contemporânea (UFSC/CNPq). O Encontro foi coordenado pela Doutoranda Ana Cristina Richter (UFPR) e teve como objetivo discutir sobre a relação da Educação Física com o NAP Linguagem: gestual-corporal, oral, sonoromusical, plástica e escrita.
Logo após ser apresentada, comentou que um professor de Prática de Ensino tinha conversado sobre uma dupla de estagiários da Educação Física da UFSC que gostaria de fazer um projeto sobre música junto a um grupo de crianças de uma determinada instituição, ela respondeu: “Não dá, então faz-se formação em Música e trabalha-se com Música.” O que Ana Cristina afirma é que Música não é objeto primeiro da Educação Física, não seria um fim e sim um meio, podendo ser utilizada para tematizar o elemento da mesma a ser trabalhado.
Quando trabalhamos com a linguagem sonoromusical, precisamos pensar o que é Música. O filósofo, sociólogo e musicólogo Theodor Wiesengrund Adorno (1903-1969) nos oferece reflexões importantes para o trabalho com a música como a idéia de Fetichismo dos meios. Um exemplo citado pela doutoranda é quando pedimos para a criança colocar a atenção e destacar quais instrumentos estão presentes em determinada música, nossa atenção está se dirigindo para técnica, para os meios e não para o fim.
Ana começa perguntando aos professores o que restaria de conteúdo da Educação Física se isolássemos a idéia de brincadeira e brincadeiras tradicionais. Uma professora respondeu que quando ela pensa em brincadeira, distingue-a entre método e em conteúdo. Se tirarmos a brincadeira como conteúdo, resta-se ela como metodologia para trabalhar outros elementos da Educação Física, aí permanecendo muita coisa, materializando-se como meio e não como fim em si mesma, sem objetivo à ser alcançado. Continuando a instigar mais um pouco os educadores, é perguntado: se fosse retirada a brincadeira como conteúdo e como método? Um professor responde que se pode trabalhar outros conteúdos como esportes, ginástica, dança, mas sem utilizar a brincadeira como método, sendo que se trata de crianças, parece ser algo incoerente, pois terá um olhar mais voltado para técnica e outros elementos restritos que não estão presentes quando falamos em brincadeira. Outra professora reafirma que se tirarmos a brincadeira como conteúdo, nos resta tantos outros, mas retirar a brincadeira como método, como modo de relação com os outros conteúdos estamos desrespeitando a forma peculiar, distinta das crianças interagirem com o mundo.
Ana teve como objetivo problematizar a idéia de brincadeira como conteúdo, repensando-a principalmente na Educação Física na Educação Infantil. Walter Benjamin é citado pela sua idéia de que jamais um brinquedo ou uma proposta de uma brincadeira irá determinar o conteúdo daquela prática para a criança. O professor deve ter isso claro. A partir disso nos faz pensar e ter cautela sobre o discurso da brincadeira como fim, como objetivo.
Tendo como referência Adorno, a Ministrante nos alerta que muitos hábitos entram na vida da criança por meio da brincadeira. Quando cantamos uma determinada música para lavar as mãos, ou formar uma fila, estamos dando conta da adaptação, de preparação para vida adulta, civilizando para ordenar o mundo. Mas a educação e nossa função como professores é só civilizar? Ana nos faz refletir sobre nosso papel de professor e cita a idéia de Hannah Arendt, apresentar o mundo às crianças; no caso do professor de Educação Física apresentar também o mundo da cultura corporal.
A partir dessas discussões surgiu o assunto Formação dos Profissionais nessa área. Primeiramente nos deparamos com um fato problemático no curso de Educação Física, no interior do qual é muito pouco pensada e estudada a infância e a prática nessa faixa etária. A Doutoranda nos trouxe uma informação surpreendente, segundo a qual foram analisadas as ementas do curso de Educação Física da UFSC e a palavra infância apareceu somente três (3) vezes. Observando que na instituição formadora de profissionais já é pouco pensando e estudado sobre esse tema, acaba tendo como conseqüência direta ou indiretamente na atuação desse profissional junto a instituição infantil do qual o mesmo está habilitado a trabalhar. Isso muitas vezes reflete a reprodução do conhecimento adquirido pelo profissional ao longo da sua vida, mera vivência, visto que não teve aprendizado durante a sua formação, assim não havendo reflexão sobre sua prática e nem um planejamento com objetivo a ser alcançado, um fim.  Muitas vezes encontra-se aulas recheadas de atividades, nas quais o professor meramente reproduz o que já está pronto, acabado, sem nenhum tipo de reflexão, prejudicando diretamente as crianças.
Logo após esse debate uma professora comentou sobre a importância de pensarmos e enxergarmos elementos da Educação Física trazidos pelas crianças no momento da prática e que não foram programados pelo Docente. Quando os pequenos têm a possibilidade de vivenciar, conhecer, falar a respeito de um elemento da cultura coporal, podem, a partir disso, ressignificar, inventar, reconstruir as práticas corporais mudando o direcionamento do que estava sendo proposto. Entretanto, a atitude do adulto algumas vezes é de repreendê-los e fazê-los retornar à atividade que foi determinada previamente, não percebendo elementos muito ricos vindos deles, e reduzindo o planejamento daquele momento à visão somente do adulto. Essa atitude da criança de escapar do que foi planejado pelo Professor é definida por Benjamin como desvio segundo Ana, sendo que o Professor deve estar consciente que irá acontecer em vários momentos esse desvio e saber lidar com isso, devendo ser observado como algo positivo, pois só assim é apresentado ao professor outras formas de brincar, de interpretar, ressignificar e também de confrontar o novo com o que já foi determinado, definido no passado. Ana Cristina concorda e diz que devemos conhecer mais as “palavras chaves”, as discussões conceituais, pensar o que significa Brincadeira, Professor, Educação Infantil, Educação Física, Música, etc assim conhecendo de forma mais ampla o universo que envolve as práticas corporais e a educação em geral.
Nos documentos que abordam os NAPs, é afirmado que as várias formas de linguagem, gestual-corporal, oral, sonoromusical, plástica, escrita, aparecem em diversos momentos da prática pedagógica. Ana nos alerta para as diferentes linguagens e sua dimensão estética, a sua forma. Em geral, podemos dizer que cada instituição tem formas de comunicação e expressão diferenciadas com as crianças. Como a linguagem é produtora de subjetividades ela vai nos formando, então o que dizemos, ouvimos, verbalizamos, lemos, vai nos constituindo como sujeitos. Como podemos então pensar na forma da linguagem? 
Ana cita uma situação em uma instituição municipal como exemplo do uso da linguagem na aula de Educação Física na qual a professora vai até a sala das crianças e só fala “Vem”. Ela e as crianças se dirigem ao terreno de uma horta, a professora pede que as crianças se acomodem e explica que o material que for utilizado deve ser depois guardado, por fim diz “Podem brincar.” A auxiliar da turma chega e a mesma diz “Vamos lá turma, guardando, está na hora de ir!” Esse foi um exemplo da linguagem de comunicação e não de expressão, tendo assim ação de um falar e o outro fazer, obedecer, apresentando-se somente a função instrumental. Se a linguagem e o pensamento é o que nos fazem humanos, devemos pensar que tipo de linguagem estamos conformando em e na relação com a infância.
No exemplo acima, percebe-se que em nenhum momento a professora conversa com as crianças sobre o que estão fazendo, sobre o que fizeram, sobre o que sentem e pensam a respeito da proposta. O ato de falar, instigar, descobrir, pensar sobre o que estão realizando, é fundamental também para se construir uma memória, porque a partir dela é que podemos imaginar. A criança precisa de elementos para poder aflorar suas idéias, imaginação, criatividade, ninguém consegue imaginar a partir do nada. Sem história não tem memória, por isso a autoridade do professor em apresentar o mundo às crianças se deve fazer presente em todos os momentos.
Muito presente nos discursos atuais nas instituições é a linguagem cientifizada, um exemplo comum é no momento do lanche em que a professora fala “Come chuchu porque faz bem para saúde” e quase nunca “Que engraçado o gosto do chuchu né?!” Haveria aqui uma dimensão estética do conhecimento, saber a forma, o gosto, a textura, o cheiro, e isso não é comumente trabalhado no cotidiano.
Alguns autores defendem a idéia de que a criança não tem linguagem e sim voz, na qual só expressa dois sentimentos que são dor e prazer. Chocante dizem alguns professores. Precisamos pensar se é só isso que constitui o humano, a cultura, e se devemos valorizar somente essas duas emoções, não levando ao conhecimento da criança a retórica, a oratória, estímulo ao argumentar, à participação em determinadas decisões que partem exclusivamente do professor – visto que deve partir do adulto, é assim que a linguagem vai se firmando na vida das crianças e também na vida social dos adultos. É responsabilidade do professor ajudar os pequenos a passar da voz à linguagem para que possam criar juízo do mundo, possibilitar que o olhem a partir dos olhos do outro, podendo assim deliberar. Quando se fala com a criança na instituição, geralmente acontece uma redução da comunicação a critérios que residem exclusivamente no controle do corpo e eficiência, como na fala a seguir, “Que bonitinho, amarrou o tênis sozinho!” Esquece-se de se conversar sobre os outros modos de calçar os pés, de amarrar os cadarços, de mostrar a história em movimento.
Ana problematiza o lugar da linguagem na música para pensarmos quando formos trabalhar com esse elemento nos momentos da Educação Física, e cita como exemplo uma canção que tem como título Meus dentes brilham, a qual tem frases que dizem “O que me anima e me alegra é ver todos os meus dentes a brilhar”, “Eu amo todos eles” “Para os fãs, é só olhar.” Em uma sociedade como a nossa, em que a personalidade está centrada na aparência, a canção é “perfeita”. Além de “vender” uma felicidade que se centra na exterioridade, notamos o consumismo implícito, formando uma identidade que vai se basear no narcisismo. Jurandir Costa escreve, por exemplo, que “basear a identidade no narcisismo significa dizer que o sujeito é o ponto de partida e de chegada do cuidado de si. Ou seja, o ‘que se é’ e o que ‘se pretende ser’ devem caber no espaço da preocupação consigo. [...] O narcisista cuida apenas de si, porque aprendeu a acreditar que a felicidade é sinônimo de satisfação sensorial. [...] O sentido da vida deixou de ser pensado como um processo com finalidade em longo prazo e objetivos extrapessoais” (COSTA, 2005, p. 185-6).
 Esse exemplo nos faz entender a importância e o cuidado de escolher as canções a serem trabalhadas e quais objetivos queremos alcançar com elas.
Ana usou mais uma cena de um momento observado em uma determinada instituição, para mostrar como que as outras linguagens estão a serviço da Educação Física e como as crianças são convidadas a atuar: “Na sala, sentadas sobre o tapete, estão dezenove crianças do grupo, duas professoras e a professora de Educação Física. A professora de EF decide com as crianças, os papéis que representarão na dança do Boi-de-mamão da próxima sexta-feira. Um menino senta ao colo da A professora de EF. Ela relê a lista de personagens e pergunta: “Quem é a cabra?”[...] A professora de EF avisa que não há ursos brancos e pretos. Um menino sugere que as professoras os representem e elas topam. Uma delas diz: “Gostei da tua idéia. O urso também é divertido.” Ela estende a mão à criança e cumprimenta-o pela indicação. A professora de EF explica que as crianças precisam preparar um cartaz anunciando a dança e que dançarão para uma turma visitante de outra creche que também brinca de Boi e virá assistir”.
No momento que a professora senta com as crianças, prepara com elas, lê e relê uma lista, um cartaz, uma história relacionada às práticas corporais, os pequenos também estão em contato com a escrita, com a leitura. Para os bebês a familiarização com os livros, o toque, ouvir histórias, conhecimento do peso, da textura, do material, também são formas de aproximação às linguagens oral, escrita, plástica. Dessa forma propicia-se a formas diferenciadas de contato, manipulação e experimentação de movimentos, materiais, imagens e recursos historicamente criados e culturalmente desenvolvidos que integram a cultura corporal.
A doutoranda perguntou aos professores a respeito dos livros disponíveis em suas instituições que falassem sobre o movimento, sobre assuntos relacionados à Educação Física e a resposta foi quase nada, para não generalizar dizendo nada.
Ao finalizar o encontro, Ana distribuiu alguns livros infantis, revistas, livros da área da Educação Física de diversos temas para os professores olharem e conhecerem, como exemplo o livro Linéia no jardim de Monet, onde aparecem imagens vinculadas às práticas corporais, tal como a obra “Regates à Argenteul”, entre outras, ou, ainda, em revistas da área, onde aparecem pinturas, desenhos, gráficos que também permitem o contato com os temas da cultura corporal por meio das diferentes linguagens.
Considerando, por exemplo, o trabalho com as práticas circenses, Ana trouxe música erudita para ouvirmos, de Heitor Villa–Lobos: “O Ginete do Pierrozinho”; A manhã de Pierrete”.
Essas e outras opções precisam ser conhecidas, estudadas, aprofundadas problematizadas para se ter conhecimento para trabalhar a cultura corporal e apresentar o movimento da história às crianças.