Caros colegas, este Blog tem como objetivo servir de ferramenta para os participantes da Formação Continuada dos Professores de Educação Física atuantes na Educação Infantil da Rede Municipal de Florianópolis, promovendo através de seu acesso a socialização de materiais e comunicação efetiva entre todos os professores.

Sejam bem-vindos !

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Relatório do dia 18/09/2012 - Formação Continuada dos Professores da Rede Municipal de Educação de Florianópolis - GI


No dia 21 de setembro de 2012, às 09h e 15min, teve início o Encontro do Grupo de Estudos Independente da Educação Física na Educação Infantil. Ele contou com a presença de dezesseis (16) professores, bem como de uma bolsista do Núcleo de Estudos e Pesquisas Educação e Sociedade Contemporânea (UFSC/CNPq). O Encontro tinha como pauta uma oficina com instrumentos musicais e cirandas.
A Professora Adriana trouxe alguns instrumentos que utiliza nas cirandas como chocalhos, tambores, caxixi, berimbau, reco-reco, tamboretes, baquetas, agogôs e professor Jairo trouxe seu violão.  Todos os docentes presentes experimentaram os objetos e os que sabiam tocar ensinavam quem não sabia.
Foram dançadas novas cirandas, com os presentes tocando os aparelhos musicais. Uma experiência musical, corporal, que todos se envolveram, compondo um momento muito rico para os profissionais de Educação Física e suas práticas.
Ao fim desse encontro, surgiu a idéia de filmar as cirandas ensinadas tanto neste dia como as cirandas ensinadas por Adriana no seu relato de experiência. Está sendo estudada a data e as possibilidades de se efetivar essa gravação.
           Abaixo seguem as músicas cantadas e dançadas neste dia:

1ª – Samba de Roda

Que menina é aquela que entrou na roda agora,  (Menina dança no meio da roda)
Ela tem um remelexo que valha me Deus nossa Senhora (2x)

Bota a mão na cabeça e outra na cintura
Dá um remelexo no corpo
Dá um abraço no outro

(Andrea explica que a menina que está dançando no meio da roda, nesse momento abraça o pião – que está com o chapéu)

Pião entrou na roda pião
Pião entrou na roda pião,
Roda pião rodeia pião,
Roda pião rodeia pião
Entrega o chapéu para o outro o pião (Menino entrega o chapéu para outro e assim vai se repetindo.)

2ª – Pinga-chuva

Pinga chuva, pinga chuva;
Hoje brilha o sol;
Nuvens dançam, nuvens dançam;
Hoje brilha o sol;
Vento voa;
Hoje brilha o sol;


3ª – Cirandeiro

O cirandeiro, o cirandeiro ó,
A pedra do teu anel brilha mais do que o sol. (2x)

Mandei fazer uma casa de farinha bem maneirinha que o vento possa levar,
Oi passa o sol oi passa a chuva, oi passa o vento,
Só não passa o movimento do cirandeiro a rodar.

O cirandeiro, o cirandeiro ó,
A pedra do teu anel brilha mais do que o sol. (2x)


4ª – Pulguinha

Estava dormindo quando algo aconteceu,
Veio uma pulguinha e danada me mordeu.

Pula pulguinha, pulguinha danada,
Pula pulguinha, essa pulguinha é assanhada. (2x)

(Jairo deu a idéia de ir propondo movimentos e repetindo o refrão, como: pular de mãos dadas, coçar a barriga, pular com um pé só...)

Estava tão cansado, cansado de pular,
Eu e a pulguinha agora iremos descançar.

Obs.: Essa música pode ser tocada no violão com a seqüência de notas: Dó, Ré menor, Sol 7.


5ª- Dona Aranha
A dona aranha
Subiu pela parede,
Veio a chuva forte
E a derrubou.
Já passou a chuva
O sol já vem surgindo,
E a dona aranha
Continua a subir.
Ela é teimosa
E desobediente,
Sobe, sobe, sobe
E nunca esta contente.

Obs.: Jairo disse que utiliza essa música e coloca o nome das crianças no lugar da dona aranha. 

6ª – Pirata

Eu sou o pirata da perna de pau,
Do olho de vidro,
Da cara de mau.

Pé, (bate o pé)
Olho, (pisca o olho, mexe os olhos...)
Careta, (faz diferentes caretas)
Arghhh.

Obs.: Pode-se tocar no violão utilizando as notas: Lá 7, Mi 7.

7ª – Ciranda do Anel

Perdi meu anel no mar,
Não pude mais encontrar,
O mar, me trouxe a concha de presente pra me dar.

Uma vez chorei na praia,
prá um anel que se perdeu
Meu anel que virou concha,
nunca mais apareceu.

Parou na goela da baleia,
Ou foi para o dedo da sereia,
Ou quem sabe um pescador
Encontrou o anel e deu pro seu amor.

Obs.: Pode-se tocar no violão está com música com as notas: Dó, Ré menor, Sol 7.


8ª – Tumbalacatumba

Tumbalacatumba tumba ta,
Tumbalacatumba tumba ta,
Tumbalacatumba tumba ta,
Tumbalacatumba tumba ta...

Quando o relógio bate a uma,
Todas as caveiras saem da tumba;
Tumbalacatumba tumba ta,
Tumbalacatumba tumba ta.

Quando o relógio bate as duas,
Todas as caveiras pintam as unhas;
Tumbalacatumba tumba ta,
Tumbalacatumba tumba ta.

Quando o relógio bate as três,
Todas as caveiras imitam chinês;

Obs.: Adriana comenta que os professores podem incentivar as crianças irem imitando as caveiras e ir rimando a música com palavras mais conhecidas pelas crianças.


9ª – Coelhinho valente

Era um coelhinho valente,
Estava comendo cenoura,
Quando chegou de repente,
Uma coelhinha valente.

Pula pula pula coelhinha,
Sobe sobe sobe coelhinha,
Desce desce desce coelhinha,
Gira gira gira coelhinha.

Obs.: Andrea diz que pode ir acrescentando movimentos durante a música. Ritmo do Samba lêlê.

10ª – Escravos de Jó

Escravos de Jó,
Jogavam caxangá,
Tira, bota, deixa ficar,
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue za (2x)

11ª – Oliveirinha da Serra

Oliveirinha da serra,
O vento leva a flor,
Oliveirinha da serra,
O vento leva a flor,

Oiolá só a mim ninguém me leva,
Oiolá para o pé do meu amor (2x)

11ª – Shanom

Shanom, Shanom, oia, oia, 
Shanom, Shanom, oia, oia.

Arre erre, oia, oia,
Arre erre, oia, oia,
Shanom, Shanom.

12ª – Saci pererê

Eu fui para Bahia,
Apanhar cipó,
Quando entrei na mata,
Eu vi um neguinho,
De uma perna só,
Perguntei sei nome,
Ele respondeu:

É saci pererê pererê pererê,
É saci pererê pererê pererê.

 Algumas fotos do dia:











domingo, 16 de setembro de 2012

Relatório do dia 21/08/2012 - Formação Continuada dos Professores da Rede Municipal de Educação de Florianópolis - GI

No dia 21 de agosto de 2012, às 09h e 15min, teve início o Encontro do Grupo de Estudos Independente da Educação Física na Educação Infantil. Ele contou com a presença de doze (12) professores, bem como de uma bolsista do Núcleo de Estudos e Pesquisas Educação e Sociedade Contemporânea (UFSC/CNPq). O Encontro tinha como pauta o relato de experiência da professora Adriana sobre cirandas nos momentos de Educação Física na Educação Infantil.
Adriana trouxe em powerpoint um pouco sobre o projeto Dança que realiza no NEI Carianos, com cantos, jogos dançantes/danças em rodas (cirandas), boi-de-mamão. Para esse encontro foi tratado em específico o tema das cirandas.
A Professora organiza as aulas de Educação Física para ficar meio período (manhã ou tarde) com cada grupo, quando necessário realiza propostas para duas (2) horas somente, mas isso ocorre eventualmente. Por serem nesse formato as práticas, Adriana se integra também nas demais rotinas das crianças como higiene, alimentação e sono.
Os objetivos do trabalho com dança são, segundo a Professora por ser tal prática passível de exploração do sentido expressivo e comunicativo do movimento, é possível desenvolver juntamente com o grupo uma competência, uma atividade em comum; promover atividades que tornem possíveis as expressões da solidariedade, da cooperação, do respeito; realizar apresentações dentro e fora da instituição.
As atividades com cirandas são realizadas pelo menos uma vez por mês. Os grupo 2, 3, 4, 5 e 6 realizam práticas com danças desde o início do primeiro semestre e o grupo 1 a partir do final dele.
Para realizar as cirandas são utilizados alguns materiais como, entre outros, aparelho de som, microfones, caixas amplificadoras de instrumentos musicais, chocalhos, tambores, caxixi, berimbau, reco-reco, tamboretes, baquetas, tapetes, CDs. O espaço é previamente organizado no salão da instituição ou eventualmente na sala. Antes de levar os pequenos para o local desejado, é conversado sobre a proposta que será desenvolvida no dia, sempre havendo a assistência de uma ou duas professoras de sala. Adriana ressalta a importância de outros profissionais para que a atividade consiga ser realizada.
As cirandas são precedidas por cantorias, os instrumentos utilizados são dispostos em um tapete no qual cada criança escolhe um para experimentar e tocar. Nesse momento são cantadas canções sugeridas pela Professora, outras vezes pelos pequenos. Com os grupos dos maiores (4, 5 e 6) o trabalho é mais esquemático e eles conseguem realizar as cirandas mais complexas, enquanto que com os menores (1, 2 e 3) é mais livre, havendo um reconhecimento dos instrumentos, sons, canções, nem sempre sendo possível de efetivar a ciranda propriamente dita.
As músicas são cantadas pela Professora, outras vezes é colocado o CD, as crianças também ajudam a interpretar canções já conhecidas por eles. Os movimentos já são estabelecidos por Adriana para cada ciranda que ensina aos grupos.
Foram mostradas algumas fotos das práticas junto às crianças para que se percebesse ser um trabalho de longo tempo, contínuo, que começa desde os pequenos e vai até o grupo 6. Em seguida os professores presentes puderam conhecer alguns dos instrumentos que são utilizados nas cirandas.
Adriana teve a preocupação de trazer a sistemática de seus relatos escritos para podermos pensar em outra forma de documentar, além das fotos. Ela faz relatórios diários de todas as suas aulas com dados como data, grupo, turno, professoras presentes; sobre a organização do momento da Educação Física, onde ocorreu, tempo, materiais utilizados e crianças presentes; destaques da aula também são registrados, facilitando uma melhor avaliação e reflexão de sua prática.
            Fora ensinadas e dançadas neste dia seis (6) cirandas, sendo a 1ª – Ta caindo fulô, 2ª – Pinga chuva, 3ª – Pé de nabo, 4ª – Sai Preá, 5ª – Caranguejo, 6ª Ciranda do anel, 7ª – Cirandeiro. Todos os presentes participaram e demonstraram bastante interesse nessa prática. Devido tamanho sucesso, ficou combinado que no próximo encontro do GI haverá uma oficina para aprender a tocar alguns instrumentos mostrados no encontro e outros que possibilitem levar para mais próximo da realidade da Educação Física a dança, o ritmo.

Cirandas:

1ª – Ta caindo fulô:

Senhor capitão, onde me mandar eu vou; (2x)
No palácio da rainha nasceu um galho de fulô

Refrão:
Ta caindo fulô, eô;
Ta caindo fulô, ea;
Ta caindo fulô, eô;
Ta caindo fulô, ea;
Lá no céu cá na terra ê ta caindo fulô; (2x)

Lá na rua de baixo, lá no fundo da rota;
A polícia me prende olêlê, a rainha me solta;

Refrão

2ª – Pinga Chuva:

Pinga chuva, pinga chuva;
Hoje brilha o sol;
Nuvens dançam, nuvens dançam;
Hoje brilha o sol;
Vento voa;
Hoje brilha o sol;

3ª – Pé de Nabo:

Ser assim é uma delícia,
Desse jeito como eu sou,
De outro jeito dá preguiça,
Sou assim pronto e acabou.

A comida de costume,
Como bem e não regulo,
Mas tem sempre alguns legumes,
Que eu não sei como eu engulo.

Brincadeira, choradeira,
Pra quem vive uma vida inteira,
Mentirinha, falsidade,
Pra quem vive só pela metade.

Quando alguém me desaponta,
Paro tudo e dou um tempo,
Dali a pouco eu me dou conta,
Que ninguém é cem por cento.

Seja um príncipe ou um sapo,
Seja um bicho ou uma pessoa,
Até mesmo um pé-de-nabo,
Tem alguma coisa boa.

4ª – Sai Preá

Sai sai sai ó preá, saia da lagoa,
Sai sai sai ó preá saia da lagoa,
Põe uma mão na cabeça outra na cintura,
Dá um remelexo no corpo,
Dá um abraço no outro

5ª – Caranguejo:

O siri e o caranguejo,
São dois bichos engraçados,
O siri quer ser sargento caranguejo o delegado,
Mas não pode;

Com o pé, com o pé com o pé,
Com a mão, com a mão, com a mão,
Aproveita minha gente pra dançar nesse salão
Que tá tão bão.

6ª – Ciranda do Anel

Perdi meu anel no mar
não pude mais encontar
E o mar, me trouxe a concha,
de presente prá me dar.
Perdi meu anel no mar...
Olha a ciranda!
É debaixo do sol...
É debaixo da lua...
Bem no meio da praia,
bem no meio da rua.
Pé esquerdo prá fente,
pé esquerdo prá trás
Olha a onda do mar na
minha mão,
eu vou fazer uma onda do
mar.
É o peixinho que pula sem parar,
mergulhando no azul da
onda do mar.
É a ciranda do anel que eu
vou dançar,
até o dia clarear.
Uma vez chorei na praia,
prá um anel que se perdeu
Meu anel que virou concha,
nunca mais apareceu.
Parou na goela da baleia,
ou foi pro dedo da sereia,
ou quem sabe um pescador
encontrou o anel,
e deu pro seu amor


7ª – Cirandeiro

O cirandeiro, o cirandeiro ó,
A pedra do teu anel brilha mais do que o sol. (2x)

Mandei fazer uma casa de farinha bem maneirinha que o vento possa levar,
Oi passa o sol oi passa a chuva, oi passa o vento,
Só não passa o movimento do cirandeiro a rodar.

O cirandeiro, o cirandeiro ó,
A pedra do teu anel brilha mais do que o sol. (2x)    

Obs.: Para quem tiver interesse em gravar as músicas das cirandas apresentadas por Adriana, levar CD no próximo encontro para ser gravado.


Alguns dos instrumentos utilizados nas cirandas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

PRÓXIMO ENCONTRO DIA 18.09.2012

GRUPO INDEPENDENTE
Data: 18.09.2012

Horário: 09:00 - 12:00

Local: CEC (Eventos), na Rua Ferreria Lima, nº 82 – Centro.

Pauta: Oficina de instrumentos musicais e cirandas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

PRÓXIMO ENCONTRO DIA 04.09.2012

Formação da Rede (Convocação)

Data: 04.09.2012

Horários: Grupo matutino: 8:00 - 12:00
                               ou
               Grupo vespertino: 13:00 - 17:00

 

Local: CEC (Eventos), na Rua Ferreria Lima 82 – Centro

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Relatório do dia 07/08/2012 - Formação da Rede Municipal de Educação de Florianópolis

               No dia 07 de agosto de 2012, às 08h e 20min, teve início o Encontro de Formação da Rede Pública Municipal de Educação, grupo da manhã. Ele contou com a presença de vinte e três (23) professores, bem como de uma bolsista do Núcleo de Estudos e Pesquisas Educação e Sociedade Contemporânea (UFSC/CNPq). No período vespertino estiveram presentes treze (13) professores, tendo início às 13h e 30min. Os Encontros foram coordenados pelo professor Alexandre Fernandez Vaz e tiveram como tema “Desenvolvimento e aprendizagem: cultura, práticas e brincadeiras”.
              Foi apresentada primeiramente a dinâmica do Encontro, em quatro (4) tópicos: 1º) Revisão de alguns aspectos tratados no encontro passado, 2º) As técnicas corporais e os usos do corpo, 3º) Práticas, brincadeiras, 4º) Em busca de elementos para um currículo.
              Alexandre começou revisando os dois grandes grupos de teorias da aprendizagem, as Teorias Associacionistas, de Condicionamento, de Estímulo-Resposta, e as Teorias Mediacionais. Para o primeiro, aprendizagem é um processo de associação de estímulos e respostas provocado e determinado pelas condições internas, desconsiderando o papel mediador da estrutura interna na aprendizagem; já para o segundo, aprendizagem é um processo de conhecimento, de compreensão de relações no qual as condições externas atuam mediadas pelas internas. Em suma, primeiro grupo desconsidera a importância da mediação daquele que conhece, o outro enfatiza a importância dessa mediação para que ocorra a aprendizagem.
               As teorias do condicionamento tratam de um sujeito universal, único, havendo certa subtração da cultura. A educação converte-se em uma tecnologia para programar reforços no momento oportuno, limitando a atividade didática a preparar e organizar as contingências de reforço que facilitam a aquisição dos esquemas e condutas desejados. Alexandre nos lembra que aprendemos muitas coisas por meio do condicionamento, que são necessários, mas é muito pouco para pensarmos sobre aprendizagem. Um dos limites dessa perspectiva pode ser visto em um exemplo: uma criança aprender, mediante prêmios ou reforços positivos, uma conduta desejada pelo professor, ao mesmo tempo que aprende o hábito de agir na esperança de uma recompensa.
            Em função da importância e dos limites de tempo foi decidido revisar duas teorias mediacionais, a de Piaget – Psicologia genético-cognitiva, e a de Vygotsky – Psicologia genético-dialética.
            Piaget fala em dois mecanismos fundamentais na relação do sujeito com os objetos, o primeiro é a assimilação: que é o processo de integração dos objetos e conhecimentos novos às estruturas velhas anteriormente construídas pela criança, é a assimilação do mundo à pessoa. O segundo é a acomodação: formulação e elaboração de estruturas novas como consequência da incorporação precedente, como o sujeito se acomoda no mundo.
            O mesmo também propôs quatro (4) estágios de desenvolvimento genético-cognitivo, aparecendo algumas vezes em suas obras de forma esquemática e em outras como maneira de orientar as práticas. São eles: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto, operatório lógico-formal.
           Importante saber de Piaget que as estruturas internas condicionam a aprendizagem, sendo mecanismos reguladores aos quais se subordina a influência do meio. A idéia fundamental é que o desenvolvimento precede a aprendizagem, só conseguimos aprender porque desenvolvemos determinadas estruturas compatíveis com a exigência daquele conhecimento, habilidade. A aprendizagem provoca modificações e transformações das estruturas cognitivas, que ao mesmo tempo, uma vez modificadas, permitem a realização de novas aprendizagens mais complexas.
             Na psicologia genético-dialética de Vygotsky há uma tríade bem importante que é conceito-pensamento-linguagem. Para ele, linguagem é o corpo do pensamento sendo o próprio pensamento em ação, o que sugere que a linguagem não é só um instrumento mas é também a própria criação do mundo. O conceito nada mais é que uma ferramenta para pensar, sendo sua formulação fundamental para desenvolvimento e aprendizagem das crianças. O mesmo salienta a importância do adulto não somente como organizador, mas também da mediação dele para o processo de aprendizagem.  Como sujeito do conhecimento, o homem não tem acesso direto aos objetos, mas acesso mediado, por meio de recortes do real, operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe.
           Quando pensamos em mediação no âmbito escolar, devemos observar que não apenas o professor assume esse papel, mas também os pares – as outras crianças. Uma professora que estava presente na parte da manhã, lembrou da importância da interação das crianças na instituição, do dia da interação e dos grupos mistos. Devemos lembrar que quando tratamos da junção de crianças com diferentes idades, a mediação e supervisão do professor deve tentar garantir o avanço tanto das crianças maiores, potencialmente mediadoras, quanto das menores, geralmente mais afeitas à mediação dos pares mais velhos.
           Vygotsky propõem dois níveis de desenvolvimento: um real que é adquirido ou formado, que determina o que o aluno é capaz de fazer por si só; outro potencial, demarcando o que poderá fazer. A aprendizagem interage com o desenvolvimento, produzindo uma abertura nas zonas de desenvolvimento proximal (ZDP) - que significa a distância entre aquilo que a criança é capaz de fazer por si própria e o que ela é capaz de fazer com a intervenção de um outro.
           As trocas espontâneas ou facilitadas das crianças com o meio físico não são independentes de mediação cultural; as formas, as cores, a estrutura, a configuração espacial e temporal dos objetos respondem a uma intencionalidade social e cultural, mais ou menos específica. Vigotski também ressalta a importância da instrução como método mais direto e eficaz para introduzir a criança no mundo cultural adulto.
          Desta perspectiva, se propõe um modelo de aprendizagem guiado e em colaboração, baseado mais na interação simbólica com pessoas do que na interação com o meio físico. Sendo assim, a linguagem é fundamental por ser instrumento básico de intercâmbio simbólico entre as pessoas, tornando possível a aprendizagem em colaboração, mediação.
          O próximo tópico a ser relembrado são as técnicas corporais, os usos do corpo. Para o francês Marcel Mauss (2003) técnicas corporais são “[...] as maneiras pelas quais os homens, de sociedade a sociedade, de uma forma tradicional, sabem servir-se de seu corpo.” (p. 401). Tradicional não é, neste contexto, contrário de progressista, mas sim demarcação de uma cultura. Por isso que se joga, se dança, e brinca de determinada maneira.
           O corpo é o primeiro brinquedo da criança. Ele não é somente instrumento, mas é também. Uma brincadeira sempre exige um brinquedo para que ela possa acontecer, nem sempre na forma de uma boneca ou bola, podendo ser o próprio corpo, como pode ser o espaço também.
           Em determinado momento dessa discussão um professor, que se encontrava presente no turno da manhã, levantou a polêmica de ensinar sem demonstrar, sem utilizar-se do corpo para tal, e se é preciso ter a experiência do movimento para podê-lo ensiná-lo. Alexandre afirma que experiências pedagógicas mostram que é mais fácil de ensinar se também houver a experiência do movimento. Não é essencial, mas é um elemento importante se a pessoa tiver a experiência do movimento. A grande maioria dos professores presentes concordou que é fundamental a experiência do movimento, da técnica não como fim, mas como meio.
           Um possível papel para a Educação Física é fornecer chaves para conhecer (pelo conceito e pela experiência) as diferentes manifestações da(s) cultura(s) corporal(is). Modo de abordagem, usos, linguagens, regras, que nos ajudem a construir alguma ordem e algum sentido ou interpretação, que construam uma proximidade-distanciamento entre o vivido e a construção de uma experiência outra.
           Alexandre pontuou em um slide exemplos de conhecimentos relacionado à Educação Física como: o corpo como brinquedo – delimitação possível para a Educação Física; brincadeira – imaginação, espaço, objetos; mediação e arranjo do espaço e dos materiais; graus de complexidade – repertório. Em outro nos fez refletir sobre a complexidade, como: mais elementos nas brincadeiras, desafios mais complexos, capacidades distintas e interligadas para resolução de problemas, ampliação do repertório, desafios: risco controlado e situações não perigosas.
            Para finalizar o encontro Alexandre propôs uma dinâmica, tanto ao grupo da manhã quanto ao da tarde, para discutir situações das práticas relacionadas com o que fora discutida até aquele momento. Perguntas norteadoras foram expostas em um slide, como exemplo: como uma atividade pode se tornar mais complexa ao longo das etapas de formação?; Como a mediação do professo e dos pares atuam na ZDP?; o que uma criança “não pode” fazer dado o seu estágio de desenvolvimento.
            Na parte da manhã foi dado o exemplo do ensino do rolamento, em que visivelmente o grupo de crianças estava em estágio de desenvolvimento diferente, algumas não conseguiam executar o rolamento ao passo que outras que já queriam fazê-lo sem utilizar as mãos ou com saltos. O professor disse da necessidade de criar estratégias que não limitassem aquele pequeno o qual se encontrava em grau mais avançado e nem que a criança que ainda não tinha segurança para executar algo mais complexo copiasse seu par e esse machucasse. Alexandre explica por meio desse exemplo que estruturas organizativas mais complexas devem estar presentes nas práticas para que haja uma evolução das crianças que já estão em um nível de aprendizagem mais elevado também, e não somente estas ajudarem seus colegas a ampliarem suas experiências. É preciso também atentar para a segurança das crianças em praticar movimentos que comportam uma dose de risco, sabendo que risco controlado, como proposta de desafio, é diferente de uma situação perigosa.
            No grupo de formação da tarde, uma professora citou um exemplo da sua prática em grupos mistos. Relata que trabalha com crianças de 3 a 6 anos de idade e que conseguiu melhorar a interação das crianças e a produtividade da aula implantando a cooperação entre os pares, mas que algumas vezes não consegue comportar o grau necessário de complexidade que as crianças maiores necessitam. Diz que acha muito complicado trabalhar com crianças de níveis tão distintos de aprendizagem.
           Alexandre nos alerta para o desafio de não generalizar o sujeito. Desenvolver práticas que possam favorecer mediações, sobretudo das crianças maiores com para com as menores, mas não se esquecer de proporcionar práticas por meio das quais as crianças maiores possam também evoluir, avançar.


Referência:
MAUSS, M. Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac-Naify, 2003.